Funcionários da Eletronuclear, moradores e apoiadores do Hospital de Praia Brava realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (26), no trevo de Praia Brava, às margens da Rodovia Rio-Santos (BR-101), em Angra dos Reis. O protesto foi motivado pela crise financeira enfrentada pela unidade hospitalar, que, segundo os organizadores, pode comprometer a continuidade dos atendimentos de emergência.
A mobilização reuniu trabalhadores e moradores da região da Costa Verde em defesa da manutenção dos serviços prestados pelo hospital, considerado referência para atendimentos de urgência e emergência na região.
De acordo com os manifestantes, a situação financeira já vem afetando o funcionamento da unidade. Entre os problemas apontados estão atrasos no pagamento do ticket alimentação dos funcionários, pendências com prestadores de serviços terceirizados e dificuldades financeiras que podem impactar a operação hospitalar.
Segundo os participantes do ato, um possível fechamento do setor de emergência representaria riscos para milhares de moradores que dependem do Hospital de Praia Brava para atendimento médico emergencial.
O protesto também provocou reflexos no trânsito da Rodovia Rio-Santos. Informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontaram interdição total nos dois sentidos da via, na altura do km 524, desde as primeiras horas da manhã.
Inicialmente, cerca de 50 pessoas participavam da manifestação, número que posteriormente chegou a aproximadamente 80 manifestantes. Ainda segundo a PRF, o trecho permaneceu bloqueado em determinados momentos, com liberações temporárias sendo realizadas durante a ocorrência.

Posicionamento da Eletronuclear
Em nota, a Eletronuclear informou que a Fundação Eletronuclear de Assistência Médica (FEAM) possui personalidade jurídica e gestão próprias, não integrando a estrutura societária da companhia e sem vínculo de dependência financeira direta.
Segundo a empresa, a relação institucional ocorre principalmente por meio de contratos ligados ao Centro Médico de Radiação Ionizante (CMRI) e aos serviços ambulatoriais prestados dentro das usinas nucleares, considerados essenciais para o cumprimento de requisitos regulatórios e de segurança das operações de Angra 1 e Angra 2. O valor anual desses contratos é de aproximadamente R$ 11,4 milhões.
A companhia informou ainda que realiza aportes voluntários de cerca de R$ 30 milhões por ano à FEAM, aprovados pelo Conselho de Administração, em razão da relevância social dos serviços prestados à população da Costa Verde. A fundação também conta com outras fontes de receita, como atendimentos hospitalares, convênios com operadoras de saúde e repasses públicos.
A Eletronuclear afirmou que questões relacionadas à regularidade fiscal da fundação impõem limitações legais para determinadas obrigações contratuais. Apesar disso, destacou que continuará mantendo os aportes voluntários e anunciou que fará, em caráter excepcional, o pagamento da parcela mensal referente aos serviços do CMRI para garantir a continuidade da atividade.
A empresa também reafirmou compromisso com a população da Costa Verde e informou que seguirá colaborando para buscar soluções que assegurem a manutenção dos serviços de saúde prestados à comunidade.
Posicionamento da Prefeitura de Angra
A Prefeitura de Angra dos Reis informou que questões relacionadas à gestão do Hospital de Praia Brava são de responsabilidade da FEAM, entidade responsável pela administração da unidade hospitalar, e destacou que não possui gerência sobre o funcionamento do hospital.
A administração municipal ressaltou, porém, que mesmo não sendo uma atribuição direta do município, tem se colocado à disposição para auxiliar no diálogo entre a instituição e o Governo Federal, buscando contribuir para a construção de soluções.




